Meu chamado: uma convicção que Deus gravou em meu coração

Silvânio de terno

Minha caminhada com Deus começou de forma marcante em 13 de abril de 1997, quando entreguei minha vida a Jesus Cristo. Eu estava no terceiro ano do Ensino Médio e tive um encontro pessoal com Deus que mudou completamente o rumo da minha história.

Menos de um ano depois, em 16 de fevereiro de 1998, fiz minha matrícula no Seminário Pentecostal de Goiás. Eu ainda não compreendia tudo o que o Senhor tinha preparado, mas sabia que precisava dar um passo de fé e obedecer a um chamado que já ardia em meu coração.

Uma biografia que me fez chorar

No primeiro semestre do seminário, a professora de Evangelismo pediu um trabalho sobre a biografia de grandes homens de Deus. Coube a mim ler a história de Charles Finney.

Página após página, eu não conseguia conter as lágrimas. A paixão de Finney pela salvação das pessoas, seu compromisso com a oração e a busca por um avivamento genuíno tocaram fundo a minha alma. Várias vezes precisei parar a leitura para chorar e ouvir o que Deus estava falando comigo. Quase não consegui terminar o trabalho.

Uma frase ficou gravada para sempre:

Nos inspiram a buscar um avivamento pessoal e coletivo, que envolve uma profunda mudança de coração, de mente e de vida.

Ali eu compreendi que Deus não estava me chamando apenas para exercer um ministério, mas para dedicar a vida inteira à Sua missão. Nasceu ali uma convicção que nunca mais me abandonou.

Enquanto muitos buscavam uma profissão, eu encontrava uma missão

Nos quatro anos de seminário, esse chamado não diminuiu. Ficou mais forte, mais claro, mais profundo. Cada aula, cada livro, cada experiência ministerial confirmava que Deus havia me separado para servir entre povos, culturas e comunidades, levando esperança, cuidado e a mensagem do Evangelho.

Não por acaso, até hoje cerca de 80% dos livros da minha biblioteca são de missiologia e missões. Sempre que abro um deles, lembro daquela chama que Deus acendeu em mim ainda jovem.

Em 2002 fui para a Missão Kairós fazer o Treinamento Transcultural. Ali, sob o lema “Além de vós, onde Cristo ainda não foi anunciado” (Romanos 15:20), o chamado ganhou endereço: a partir de 2005, serviríamos no Equador.

28 anos depois, o mesmo chamado

Hoje, depois de 28 anos servindo a Deus e 24 dedicados ao trabalho missionário, posso dizer com gratidão: muita coisa mudou ao longo do caminho, mas o chamado continua o mesmo.

Houve renúncias, mudanças de cidade e de país, lágrimas, incertezas e grandes aprendizados. Em cada etapa, Deus confirmou o Seu propósito e a Sua fidelidade. Quando olho para trás, não vejo só uma trajetória ministerial. Vejo a mão de Deus conduzindo cada passo, abrindo portas e moldando o meu caráter.

A missão deixou de ser uma atividade que eu realizo. Ela se tornou parte de quem eu sou.

Meu chamado não nasceu de um projeto pessoal nem de uma escolha profissional. Nasceu no coração de Deus e foi plantado no meu. Por isso continua vivo. E enquanto Deus me der vida, seguirei servindo à Sua missão com a mesma paixão que Ele acendeu naquele jovem recém-convertido em 1997.

“Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.” Romanos 11:29

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Missionários há 24 anos, hoje no Paraná, servindo migrantes e refugiados. Conheça nossa história

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