Quando tudo parecia impossível: nossos primeiros dias em Maringá

Dinalva, Paulinha e Silvânio num jardim em 2018

Chegamos a Maringá em 23 de setembro de 2015, atendendo ao chamado de Deus para uma nova etapa da nossa caminhada. Éramos só nós três: eu, minha esposa Dinalva e nossa filha Paulinha.

Vínhamos de anos de estrada. Depois do Equador, onde a Paulinha nasceu, passamos por Goiânia, por São Paulo, onde ela fez o tratamento no Hospital das Clínicas, e por Viçosa, onde estudei no Centro Evangélico de Missões. Maringá era o lugar onde poderíamos cuidar da saúde e da reabilitação dela e, ao mesmo tempo, estudar para servir melhor.

53 dias na JOCUM

Nos primeiros 53 dias, fomos acolhidos na base da JOCUM Maringá. Foi um tempo de adaptação, de aprendizado e de procura por um lugar para chamar de casa. Apesar das limitações, éramos gratos pela hospitalidade.

A edícula da irmã Juraci

Com a ajuda do Pastor Nicácio, alugamos uma pequena edícula da irmã Juraci. Ter o nosso próprio canto era uma conquista, mas as condições eram precárias: quando chovia, a água entrava pelo telhado, e o mofo tomava as paredes.

Como sou pintor de profissão, coloquei a mão na massa. Com os poucos recursos que tínhamos, pintei a edícula inteira para deixar o ambiente melhor para a nossa família.

Palavras que machucam

Pouco tempo depois, vieram os comentários. Algumas pessoas questionavam se conseguiríamos permanecer no campo, dizendo que um missionário com uma filha que precisava de cuidados especiais não teria sustento para sobreviver. Essas palavras machucaram fundo.

Pedimos então à Missão Kairós, que nos acompanhava desde 2002, uma carta de apresentação. Não só para confirmar o nosso vínculo, mas para mostrar que estávamos comprometidos com o propósito que Deus tinha colocado diante de nós. A carta veio em dezembro de 2015, encerrando com uma frase que levamos conosco: “Em Cristo, juntos na evangelização do mundo.”

Entre dificuldades financeiras e palavras de desânimo, houve dias de insegurança e lágrimas. Ainda assim, permanecemos firmes na certeza de que o Senhor cuidava de nós.

O começo de tudo

Hoje, olhando para trás, vemos o quanto aquele tempo fortaleceu a nossa fé e nos ensinou a depender da provisão de Deus. A pequena edícula e os desafios daqueles primeiros dias viraram parte do nosso testemunho da fidelidade dEle.

Foi nesse contexto que a nossa caminhada de serviço em Maringá começou a tomar forma. Alguns meses depois viriam as aulas de português para os haitianos, e, anos mais tarde, o Instituto Ethnos Brasil.

“Até aqui nos ajudou o Senhor.” 1 Samuel 7:12

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Missionários há 24 anos, hoje no Paraná, servindo migrantes e refugiados. Conheça nossa história

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